terça-feira, 15 de novembro de 2011

Entrevista: Arquitetos P.C. Lourenço e Bruno Sarmento - Lourenço l Sarmento Arquitetos


          O Escritório Lourenço / Sarmento é dirigido pelos arquitetos Paulo César Lourenço e Bruno Sarmento, ambos nascidos em Juiz de Fora. Estabelecido e situado na Cidade de Juiz de Fora desde 1998 e com atuação em âmbito nacional, a produção do referido escritório vem obtendo grande destaque tanto na imprensa local e regional como também nas mídias especializadas nacionais, face à grande qualidade e boa repercussão que alguns dos seus projetos alcançaram em diversas publicações importantes. Esta entrevista com o Escritório Lourenço / Sarmento é a segunda entrevista de uma série que ainda pretendemos publicar em O THAU DO BLOG com alguns dos mais importantes escritórios de arquitetura que têm atuado na Cidade de Juiz de Fora nas duas últimas décadas. 




PC Lourenço (em pé) e Bruno Sarmento

       
       De forma muito gentil e generosa, os Arquitetos PC Lourenço e Bruno Sarmento receberam a nossa Equipe em uma tarde no seu escritório situado no Bairro do Bom Pastor e ali, durante cerca de três horas de boa conversa puderam relatar fatos importantes a respeito da formação de cada um e da constituição desta bem sucedida parceria, além de falarem das suas atuações nas áreas empresariais e como docentes do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES – JF) onde o Arquiteto PC Lourenço também exerce o cargo de Coordenador Acadêmico do referido curso.

     Deixamos aqui registrado o nosso agradecimento à toda a Equipe do Escritório Lourenço Sarmento pela boa receptividade aos nossos propósitos e informamos ao leitor  que a realização desta entrevista  – toda ela gravada em áudio e transcrita posteriormente – envolveu a participação da Equipe Editorial de O THAU DO BLOG (Camila Fonseca Pinheiro e Vitor Wilson) com a colaboração da aluna Luisa Feyo.

                                                                           Antônio Agenor Barbosa
                                                                                            Coordenador de O THAU DO BLOG
                                                                                          Equipe Editorial de O THAU DO BLOG

          1) O THAU DO BLOG: Vocês são naturais de Juiz de Fora?


Lourenço l Sarmento: Sim, ambos.


         2) OTDB: A respeito da escolha pela escola de Arquitetura e Urbanismo. Como e em que momento surgiu a vontade de ser arquiteto e o que isso representava para vocês? Houve alguma influência familiar?


LS - PC Lourenço (PCL): A minha escolha não foi feita por caminhos muito diretos, foi uma escolha meio tortuosa, porque quando eu estava me preparando para o vestibular, sempre tive algum interesse pela arquitetura, mas nunca tive influência familiar, pelo contrário, minha família era de uma geração toda de médicos, avô, pai, tios, irmãos, se eu tivesse que ter algum tipo de influência seria pela medicina, mas naquela escolha, talvez a imaturidade, a juventude, eu trilhei caminhos diferentes e fui fazer economia.

Cursei um ano e meio de economia na Federal (UFJF), mas percebi que o meu desenvolvimento era muito inferior ao dos meus colegas de turma, senti que eu não tinha aquela coisa que nos motiva, de ter paixão por aquilo que você faz, ver o seu crescimento, na época como aluno de economia eu não via isso acontecer comigo e me questionei em alguns momentos.

Obviamente, tinha uma grande barreira na época, o fato de não ter o curso de arquitetura aqui em Juiz de Fora. E mais uma vez, a juventude, as ligações familiares, as amizades criavam esse elo muito forte com Juiz de Fora. Mas em alguns momentos eu questionei de fato esse curso de economia dentro desse um ano e meio que eu cursei, cheguei até a trancar um semestre, fiquei aguardando como as coisas iam acontecendo e agora eu digo para vocês que foi pelo viés da medicina que tomei a decisão de fato mais importante na escolha da minha profissão, porque na época o meu pai participava da construção de um hospital na cidade e eu fui ver a obra, fui visitar o hospital e aí eu disse: “quer saber, vou fazer é medicina”, quando na verdade eu estava já me encantando era pelo processo de obra, pelas soluções espaciais e construtivas e a escolha da faculdade foi também uma coisa de grande oportunidade em minha vida porque eu estava ainda cursando economia e surgiu, naquela época não era muito comum, o vestibular no meio do ano na Universidade Santa Úrsula no Rio de Janeiro. E foi num desses vestibulares de meio de ano que tomei a decisão de mudar. De junho a agosto eu deixei de ser estudante de economia para ser estudante de arquitetura.

LS - Bruno Sarmento (BS): Eu sempre imaginei fazer arquitetura, muito pelo prazer do desenho, ai tem aquela fase natural de transição entre pensar vou ser designer? Vou desenhar carros? Até que eu entendi que a realidade que mais se aproximava do que eu gostaria de fazer era a arquitetura. Não me lembro em que momento exatamente isso aconteceu, mas sempre tive esse interesse pela arquitetura e comecei a pensar nisso muito cedo, sempre ligado ao desenho, ao lado gráfico. Não conhecia nenhum arquiteto pessoalmente, mas tinha sempre na família uma tradição muito grande de envolvimento com construção. Sempre vivi num ambiente de obra mas sem compreender a relação daquelas obras com arquitetura. O prazer pela obra sempre me acompanhou na infância, mas uma coisa muito empírica, muito informal, construções feitas justamente sem projeto, esse interesse talvez estivesse um pouco associado a isso, mas não naquele momento com a idéia de que aquilo era arquitetura.


         3) OTDB: Qual é a formação acadêmica de vocês?

LS - PCL: Tive toda a minha parte de graduação no Rio, na Universidade Santa Úrsula, e posso dizer que tive o privilégio de estudar nos tempos áureos da Universidade Santa Úrsula, onde os principais arquitetos do Rio de Janeiro, aqueles que estavam de fato discutindo e produzindo uma boa arquitetura naquele momento eram professores da faculdade, então a Santa Úrsula tinha uma visibilidade muito grande no cenário nacional. Ainda na faculdade eu tive algumas experiências profissionais e acadêmicas, mas a minha formação deu continuidade quando em 1999 iniciei o Mestrado em Urbanismo no Rio de Janeiro, no PROURB da UFRJ. Mas o mestrado também foi um momento bastante controverso porque nós já tínhamos o nosso escritório, e o escritório já estava em desenvolvimento e ficamos com o escritório montado aqui, com o Bruno à frente e eu no Rio tentando equilibrar de lá, mas ao mesmo tempo envolvido com o mestrado e etc.

Mas o próprio mestrado foi uma coisa que – me abriu sem dúvida nenhuma grandes horizontes, outras perspectivas, uma familiaridade com autores e com a produção arquitetônica, apesar de ser um mestrado em urbanismo, uma produção que a gente não vê muito na graduação, - não foi aquilo que eu imaginava, o fato mesmo é que eu terminei todos os créditos do mestrado mas não fiz a defesa da dissertação e a minha pós graduação foi se dar de fato num curso muito especifico para a vivência profissional que nós temos aqui no escritório.

Nós sentíamos que à medida que o escritório evoluía, a gente precisava de algo que fosse um respaldo para gerir, para lidar com essa estrutura do escritório e aí buscamos (porque fizemos juntos) uma pós-graduação na área de gestão empresarial para aprender a lidar com isso, porque são coisas que a gente não vê na graduação e está arriscado a passar a vida inteira estando a frente de uma organização, de um escritório, de uma empresa mas sem ter conhecimentos de fato, lidar com isso sempre empiricamente ao longo da vida profissional, nós achamos que tínhamos que entender isso que a gente faz, porque da arquitetura a gente entende um pouquinho, agora nós temos que entender uma outra coisa que viabilize essa arquitetura acontecer.

LS - BS: No meu caso, na época o curso de Arquitetura aqui em Juiz de Fora já existia, eu comecei a fazer na federal (UFJF) em 1995 e me formei em 2001 e lá eu tive a oportunidade de estar em contato com o PC e ainda durante o curso a gente começou a trabalhar juntos, ele foi meu professor, já que estava lá como Professor Substituto no 3º período, e percebemos ali uma identidade profissional e acadêmica.

Porque na realidade a gente começou a nossa aproximação com grupo de estudo coletivo sobre arquitetura, do qual o PC participava lá no Rio e recriou esta idéia por aqui. A partir desse contato começou uma atividade profissional em conjunto, que não era ainda o escritório formalizado, para mais tarde se tornar o escritório, então nesse caso, a formação acadêmica andou já paralela à atividade profissional, porque do 5º para o 6º período a gente já estava trabalhando juntos no escritório e aí eu continuei fazendo a faculdade em paralelo com o início desta atividade profissional. Então eu fui me formar em 2001, mas o escritório já tinha três anos de atividade e complementando a formação nós fizemos juntos a pós-graduação que foi um MBA em gestão empresarial na Fundação Getúlio Vargas.


          4) OTDB: Quais professores marcaram a sua formação e por quê? Quais eram as disciplinas e os assuntos nos quais vocês se destacavam?

LS - PCL: Eu tenho um que é inevitável, menciono ele até hoje, talvez tenha sido a grande referência como professor, não só pela postura dentro da sala de aula mas pelo entendimento, pela paixão, por tudo aquilo que diz respeito a Arquitetura e Urbanismo que foi o Mauro Neves Nogueira. Ele foi meu professor, e foi também professor do Antônio Agenor Barbosa, e nós fomos monitores juntos da disciplina dele na Universidade Santa Úrsula. O Mauro Nogueira é um cara que – continuo afirmando isso até hoje - talvez seja uma das pessoas que mais entendem de Arquitetura, que mais vivenciam essa coisa da Arquitetura, da História, da Teoria da Arquitetura, e que tem uma produção arquitetônica, influenciou muito a minha formação, me mostrou um pouco o lado da Arquitetura na base, na essência, você buscar a Arquitetura que não é só na sua capacidade de criar, na sua capacidade de desenvolver um projeto, mas sim o que vem antes de você desenvolver toda essa capacidade e na verdade é o que te capacita para poder ter esse entendimento mais amplo de Arquitetura.

O Mauro, sem dúvida nenhuma, foi a minha grande referencia. Gosto de mencionar sempre dois outros professores que eu tive na faculdade, óbvio que vou esquecer-me de alguns, que foi o professor Hélio Brasil, que hoje deve estar com oitenta, oitenta e poucos anos, é aquela referência do professor mais maduro, daquele professor que tem sempre a palavra sábia e que tem na própria experiência de sua vida muita história para contar e que, muitas vezes, supera até aquilo que ele está ali te dizendo tecnicamente. O Hélio Brasil participou de momentos importantes da historia da arquitetura no Rio de Janeiro, é querido por todos, é uma figura ótima.

E o professor Carlos Alberto Pingarilho, também era um professor brilhante, ligado às Artes em projetos de Arquitetura, lembrando que todos esses são arquitetos que lidavam nas disciplinas de Projeto de Arquitetura. O Pingarilho me marcou muito porque ele tinha esse viés artístico, ele tinha cara mesmo de artista, usava camisas floridas, rabinho de cavalo e tal, foi lá no terceiro período, foi um primeiro contato, aquele primeiro choque com um cara que te exige desenhar muito, desenhar projetando, ele falava: “que negócio é esse de plantinha baixa? Eu quero ver desenhos, conceitos, quero ver maquete toda aula, quero ver modelos”, era um cara que sistematicamente exigia muito dos alunos, mas também com uma conversa muito agradável, com muita experiência: era fotógrafo amador, era músico e compositor ligado a Bossa Nova, um cara de diversas ligações artísticas e que procurava trabalhar com todas elas, fazendo também com que a arquitetura participasse de todas elas.

Todo aluno gosta de desenvolver projeto, mas a disciplina de Teoria da Arquitetura, acredite, foi a que mais me abriu um horizonte, era uma disciplina que a gente tinha no 5º período, foi onde eu comecei, de fato, a conhecer os arquitetos, saber quem eram os arquitetos e como eles projetavam, foi uma disciplina que me incentivou a querer comprar livros de Arquitetura, começar a acreditar que Arquitetura está nos livros e não só - como eu disse antes – na sua capacidade de criar, de você ser ou não ser habilidoso para desenhar, então foi realmente um divisor de águas e foi a partir da disciplina do Mauro Nogueira que nós decidimos criar um grupo de estudo de arquitetura. 


Posteriormente, como já mencionei, eu fui monitor da disciplina e ela realmente foi um divisor, então eu não posso dizer que foi a disciplina que eu mais gostava ou que eu mais gostei do curso, mas sem dúvida nenhuma foi uma das que ou a que mais marcou o meu curso de graduação na Universidade Santa Úrsula. A gente tinha aulas extras ou aulas especiais à noite no Rio de Janeiro e não importava se era numa sexta-feira, as salas estavam sempre lotadas porque eram aulas realmente muito interessantes e não por acaso dentro das disciplinas que eu fui lecionar na Federal (UFJF), nas duas oportunidades que eu tive como professor substituto e hoje no CES, todas elas eu sempre tive a disciplina de Teoria sob minha responsabilidade.

LS - BS: No meu caso, claro que há um professor nesse sentido que marcou demais nessa história que é o próprio PC, porque o contato com o PC me aproximou naquele momento desta realidade, desse campo, dessa vertente, eu até gosto de pensar isso agora, porque quando a gente olha à distância, fica mais fácil da gente identificar do que quando a gente olha de fora simplesmente. Posso agora identificar que havia todo um grupo de arquitetos e de estudiosos interessados em arquitetura e em um pensamento que permeava a formação na Universidade Santa Úrsula na época através da figura do Professor Mauro Nogueira e depois por outras determinadas figuras também. Esta “chama” vamos dizer assim, que passou pelo Mauro para um determinado grupo que se formou com ele na USU como é o caso do Professor Antônio Agenor, como é o caso do PC Lourenço também e alguns outros. Mesmo estudando aqui em Juiz de Fora, eu tive a oportunidade de reconhecer naquele momento a existência deste grupo, e ainda de maneira muito intuitiva de entender que Arquitetura vai além daquele momento de criação, como o PC já falou e vai muito mais no sentido de uma grande bagagem acadêmica, de pesquisa, de entendimento, de um sentido muito mais amplo. Então, eu tive outros professores que contribuíram, claro, estaria sendo até pouco equilibrado se eu estivesse elencando um mais do que o outro, mas nesse sentido, acho que a maior importância - fica óbvia - é essa influencia que o PC teve, que mudou totalmente a minha vida, não só com a visão acadêmica mas com a realidade profissional.

          5) OTDB: A disciplina que vocês lecionam é História da Arquitetura?

LS - PCL: Não. Sempre tinha um ou dois projetos, as duas oportunidades que eu tive na Federal como substituto, tinha dois projetos sempre (PA) e também as disciplinas de Teoria.

LS - BS: E das disciplinas eu sempre me interessei muito mais pelas disciplinas de projeto, representação que também me encantava, e as Histórias, então, eu acho que aí, voltando à pergunta inicial, eu vi na Arquitetura a fusão de duas coisas que me apaixonavam, uma era a história e a outra a possibilidade de expressar, representar determinada criação graficamente e o interesse por isso. Então, essas disciplinas sempre me interessaram um pouco mais, as que ficavam mais em segundo plano eram as disciplinas mais na área de exatas, que quando eu fiz, eram muito maiores do que as que vocês têm hoje, então, eu peguei Cálculo, peguei Analítica, essa bateria toda, que eu não me destacava, já assumo de antemão. (risos)


          6) OTDB: Durante a graduação, vocês tiveram alguma experiência em escritórios de arquitetura?

LS - PCL: Nessa parte, vamos dizer, de complementar a faculdade, eu tive umas três experiências, mas duas delas me marcaram um pouco mais, inclusive essa primeira foi me marcar muito tempo depois, porque eu trabalhava num escritório que eles investiam muito nessa área de centros comerciais, shoppings centers ou faziam projetos executivos, não desenvolviam os projetos, mas faziam os projetos executivos de shoppings.

Posteriormente, já formados, nós fomos ter um envolvimento profissional porque eles foram os primeiros a desenvolver um estudo para o que hoje é o Shopping Alameda e a gente acabou por outros fatores tendo um envolvimento com eles, então eu fui me envolver com quem eu havia sido estagiário que era o CDC (Escritório Coutinho, Diegues e Cordeiro, do Rio de Janeiro) que foi nosso parceiro no Projeto do Independência Shopping.

Então muitas vezes, a gente se deparava com projetos do CDC que a gente estava dando continuidade ou projetos de corporações como Lojas Americanas, que a gente fazia o Lay Out e tal, mas esse estágio foi curto e teve um segundo estágio, que eu fiquei um tempo maior, num escritório também um pouco maior, que já produzia uma arquitetura mais diversificada, desde a área residencial até edifícios, onde eu tive um contato muito bacana, me aproximei muito de um arquiteto que não era dos sócios do escritório e esse escritório existe até hoje no Rio que é o Lopes Santos Ferreira Gomes, que é o escritório responsável pelo projeto do Estádio de Futebol Engenhão no Rio.

Então, essa minha formação complementar foi basicamente nesses dois escritórios porque da metade do curso em diante, o fato de ter um vínculo muito grande com Juiz de Fora e saber que aqui eu desenvolveria a minha atividade profissional fez com que eu mantivesse todos os meus vínculos, estivesse sempre presente e naturalmente que você por amizade, por relacionamentos “Ah! Já está fazendo Arquitetura no Rio!”, aquelas pequenas coisas que são naturais de você começar a mexer enquanto estudante aconteceram de fato e eu posso dizer que do meu 6º, 7º período em diante, eu já não tinha nem a possibilidade de desenvolver um trabalho de estagiário – porque alguma coisinha eu já fazia por aqui – e essa coisa do vínculo de monitoria na faculdade, essa coisa de grupo de estudos consumia bastante o nosso tempo, porque no grupo de estudo que tínhamos lá no Rio a gente não se reunia somente para estudar não, a gente se preparava para estudar, fazia apresentações, era uma coisa mais elaborada do que simplesmente se encontrar uma vez por semana e conversar e ler sobre Arquitetura.

LS – BS: No meu caso, a atividade profissional já começou na faculdade, então eu acho que – é claro –isso moldou muito a minha formação e no segundo período eu comecei a já fazer um estágio, que também foi bem interessante, achava muito interessante naquele momento, mas uma situação muito específica que era a reforma no Cine Teatro Central, onde um grande número de alunos da faculdade foi convocado para trabalhar nessa reforma do Central por uma empresa chamada Espaço Tempo, que é uma empresa dedicada à área de restauro. Então eu tive a oportunidade de trabalhar muito relacionado com a área de Arquitetura porque boa parte do grupo trabalhava com o restauro especificamente e eu e mais dois outros colegas de sala trabalhávamos na parte de recuperação de desenhos, recuperação e catalogação de desenhos, então, desde os desenhos utilizados para construção até desenhos utilizados para a parte artística, a gente trabalhou muito tempo, eu fiquei dois semestres trabalhando nisso, então no segundo período eu comecei a estagiar nisso, trabalhei nisso até praticamente a inauguração do Cine Teatro Central.


          7) OTDB: Ao se formarem, vocês já se sentiram aptos e seguros para atuar como arquitetos? Como surgiu a idéia de trabalhar em um escritório próprio? Como estava o mercado na época em que finalizaram a graduação? Houve uma fácil aceitação ou foi necessário um período de carência de trabalhos e de projetos para entrar efetivamente no mercado da construção?

LS - PCL: Eu acho que a questão de se sentir apto vem muito da nossa formação e hoje eu entendo de uma maneira diferente, quando a gente se forma, eu costumo brincar com os alunos, que se aparecer alguém falando que você é o responsável por construir o complexo olímpico para as Olimpíadas de 2016 no Rio, você fala assim “procurou o cara certo”, você já formado fala assim “pô, é comigo mesmo, está com o cara certo, não tenha dúvida disso” e é uma coisa que faz parte do estudante de Arquitetura aqui no Brasil.

Essas coisas que a gente começa a mexer ainda cedo e que é muito diferente do que a gente vê fora do Brasil e agora com um pouquinho mais de distanciamento eu vejo isso, entendo, mas tenho uma certa visão um pouco mais reticente com relação a isso, acho que a gente precisa evoluir muito e muito após a formação, trabalhar em escritórios, ter experiências diversas porque cada vez mais, quando a gente se forma, a gente não tem a verdadeira noção do grau de envolvimento, do grau de responsabilidade que é estar a frente de um processo projetual, seja da micro escala, da casinha do cachorro ou do mega complexo esportivo, como eu mencionei, é muita responsabilidade, a legislação é muito rígida e eu acho que a tendência é que a gente comece a se aproximar de como as coisas funcionam nos países desenvolvidos, onde um arquiteto é considerado ainda jovem com seus 40 anos de idade, ele é jovem.

A partir daí, talvez, ele poderá dizer: “agora eu posso começar a pensar em bater asas sozinho,”, mas a nossa formação é diferente, a gente se forma já trabalhando e se não está trabalhando, já vai trabalhar imediatamente e na maioria das vezes sozinho, então, o sentir apto acho que é uma coisa que não passa muito pela nossa cabeça, mas o fato é que a gente sente no dia a dia que a gente não está apto e eu diria a cada projeto, a cada desafio que a gente tem de projeto é salutar você achar que não está apto, não significa que você vai declinar do trabalho, mas significa que você vai se empenhar para buscar soluções, tratar aquilo como um grande desafio, porque senão é um grande risco de você ligar o piloto automático, entra projeto, cospe pra fora, entra projeto, cospe pra fora.

LS - BS: Eu acho que o interessante é imaginar o seguinte – isso não é só na Arquitetura, mas nas mais diversas áreas: quanto mais domínio você tem, quanto mais você entende o meio, maior é a sua noção da responsabilidade, então é possível que, quanto mais experiência, mais inseguro você se sinta e no bom sentido, isso te obriga a correr atrás de soluções mais seguras, mais certas, mais convictas e por isso que estar acompanhando academicamente, estar acompanhando tecnicamente é tão importante, porque quando você se sentir inseguro, você vai recorrer exatamente a isso. A inocência do período de formação te dá essa falsa ilusão: “sim, já estou formado, agora eu posso fazer tudo”, quanto mais você sabe, na realidade mais você se desafia, mais você se questiona, mais dúvidas você coloca para você mesmo, por isso que a formação não acaba nunca, porque mais dúvidas você tem, mais você precisa recorrer, mais você precisa estudar pra poder se sentir tranqüilo, se sentir seguro.

LS - PCL: Até porque a gente começa a perceber que o desafio do projeto está sim na sua concepção, em toda a sua elaboração, em desenvolver o projeto, mas aquilo que a gente faz, que a gente chama de estudo preliminar, é essa responsabilidade, todo esse envolvimento, essa investigação constante, esse aprimoramento constante, pra falar um português bem claro: é ali que o bicho pega, dali pra frente, é por isso que muitas vezes nós recém formados, saindo do meio acadêmico, a gente não tem essa verdadeira noção do que está ali atrás daquele muro, na faculdade a gente está bem protegido, acolhido pelo muro protetor da faculdade.

LS - BS: Do mercado, eu entendo que a gente entrou no mercado numa situação muito especifica, que era uma defasagem brutal da Arquitetura na realidade de Juiz de Fora, a gente não tinha uma mentalidade de Arquitetura, você até tinha arquitetos, mas não tinha mentalidade de arquitetura na cidade, isso não somos só nós, foi um grupo de arquitetos contemporâneos que chegaram nesse momento especifico aqui em Juiz de Fora.

Havia um déficit na situação do mercado local e regional, o que tinha um lado ruim e um lado bom. O lado ruim é que não se demandava por arquitetura de qualidade, digamos assim. Então começamos a trabalhar no mercado com trabalhos pequenos, não existiam grandes projetos e fomos correndo atrás de novas oportunidades, que foram surgindo gradativamente e com muita ralação, nos sujeitamos a todos os tipos de projetos e todas as realidades, dentro da nossa crença do que era arquitetura, é claro. Com certeza não foi um início fácil.


          8) OTDB: Durante a formação e também na vida profissional quais arquitetos mais serviram de inspiração e de referências para vocês?

LS - PCL: Eu faço uma separação muita clara entre a influência da faculdade, até porque eu me formei um pouco antes, num momento de transição da arquitetura, no contexto de uma dita pós-modernidade. O Aldo Rossi influenciou muito a minha formação pelo pensamento dele. Muito menos pela arquitetura e muito mais pelo pensamento de cidade, e naturalmente outros autores que falam de cidade como o Kevin Lynch. Mas principalmente o Aldo Rossi e também o Robert Venturi com os pensamentos sobre a estrutura das cidades. E tenho um grande apreço e admiração pela arquitetura que se produzia na época, e aí já entrando um pouco na vida profissional tem o Richard Meyer que era um arquiteto muito badalado naquele momento e que os estudantes gostavam muito de estudar as suas obras.

Foi havendo uma migração, e eu acho que o mais importante não era um encantamento nem uma referência para se produzir estilisticamente aquilo que aqueles arquitetos produziam, e sim um encantamento pela forma de produzir arquitetura, lógico que pelo resultado, mas não que a gente buscasse produzir a mesma coisa que esses arquitetos estavam produzindo. Então Richard Meyer vai ser uma influência muito forte na nossa vida profissional e depois o ídolo máximo, Renzo Piano.

E você vai olhar a nossa arquitetura e vai ver que ela não tem nada da arquitetura de nenhum desses arquitetos que eu mencionei. Mas todos eles, e principalmente o Renzo Piano, pela maneira que encara a arquitetura e eu acho que o Piano é um exemplo máximo, pois o escritório dele chama-se “Renzo Piano Building Workshop”, ou seja, o Workshop é uma oficina de se construir arquitetura, que é uma coisa que a gente emprega aqui, que a arquitetura é construída desde os primeiros estudos, desde os estudos preliminares, pelos primeiros croquis se constrói arquitetura.

LS - BS: E a arquitetura como construir, e o nome do escritório é particular por causa disso. A arquitetura construída, por partes, e como o próprio Renzo Piano diz, a luta contra a gravidade. Para ser arquitetura precisa ser construído, tem que se materializar, isso é o desafio da arquitetura. Então o Renzo Piano é com certeza uma de nossas influências desde nosso início e até hoje.

9) OTDB: Quais são as suas principais referências estéticas e projetuais ao desenvolver um trabalho?

LS - PCL: Eu acho que tem um pouco da referência desses arquitetos que já mencionamos, por mais que o rebatimento da solução formal e estética da arquitetura não tenha nada a ver. Mas mais do que ter a referência e um encantamento no que se produz ou importar uma linguagem dos arquitetos ibéricos (Espanha e Portugal) deve-se tentar produzir uma arquitetura que tenha laços com a nossa realidade.


 Maquete do Escritório Lourenço  Sarmento Arquitetos Associados
Mas que seja principalmente factível. Uma arquitetura que possa ser bem construída, em todos os sentidos, e que possa envelhecer com dignidade. Hoje ficar pensando em altas tecnologias, em altos desenvolvimentos, em materiais sofisticadíssimos como chapas de titânio está fora de nossa realidade.

Não sei se está fora da realidade do Brasil, mas está fora da nossa realidade, do nosso escritório, da nossa produção, da nossa construção e da nossa realidade financeira. Então a gente tenta, antes de qualquer coisa, fazer uma arquitetura que seja viável. 









LS – BS: Isso é interessante e virou até tema para pesquisa. No meio acadêmico é muito fácil se encantar pela obra da Zaha Hadid, Rem Koolhaas, Frank Gehry. Todos esses são muito fáceis de nos encantar, mas a nossa pesquisa profissional foi migrando para um certo pragmatismo. Vamos pesquisar quem tem condição de fazer uma realidade parecida com a nossa, aí aparecem os ibéricos, arquitetos portugueses, espanhóis, italianos, chilenos. Escritórios que até não tem a mesma projeção, mas que estão buscando fazer uma arquitetura um pouco mais realista, e essa referência se tornou muito mais próxima de um certo pragmatismo que aquele encantamento que advém das grandes estrelas da arquitetura.

10) OTDB: Fora a arquitetura vocês tem alguma outra aptidão ou desenvolvem outro tipo de atividade?

LS - PCL: Eu tenho algumas curiosidades, por exemplo, fotografia, apesar de não entender nada eu acho bacana, gosto, me envolvo. Gastronomia também me encanta, gosto de ler, mas o que eu gosto mesmo é esporte, e até fui professor recentemente do Roger Federer e do Rafael Nadal (risos), mas é muito mais como lazer e para cuidar da saúde do que como aptidão.  Ser arquiteto é ser arquiteto 24 horas por dia. É ser uma pessoa que está sempre atenta, e isso não te faz deixar de curtir nada que a vida oferece para qualquer outra pessoa. É ser mais atento pra coisas que nos cercam. Nós vamos projetar isso, nós lidamos com isso.

LS - BS: Ter o esporte em paralelo ajuda quem fica com muita coisa na cabeça, e o arquiteto trabalha com muitas coisas ao mesmo tempo então às vezes é preciso sair um pouquinho disso para canalizar alguma coisa que trabalhe outra parte do corpo, e não só o cérebro, então o esporte ajuda muito e é um prazer. Vou falar uma frase que a gente fala muito para os alunos: você não faz arquitetura, você é arquiteto. Então o arquiteto tem que estar sempre lendo e se encantando. A gente pesquisa blogs e sites de arquitetura em casa como diversão é difícil dissociar o hobby da atividade profissional nesse caso, é um encantamento constante pela arquitetura.

11) OTDB: O Brasil, país mais importante da America Latina, também se destaca na arquitetura atual? Como vocês observam isto?

LS - PCL: Nós estamos em um momento muito favorável, com estabilidade econômica, com a crise dos outros, e com a copa do mundo e olimpíadas, sem dúvida nenhuma, nós somos a bola da vez junto com mais meia dúzia de países do mundo. Mas a nossa produção deu uma patinada durante muito tempo. Se a gente pegar as décadas de 80 e 90 do século XX, eu acho que nós podemos colher pouquíssimas coisas de qualidade e de relevância no cenário internacional, diferente dos nossos vizinhos, especialmente o Chile e a Argentina.

A Argentina desde sempre, mas o Chile, que produziu uma arquitetura de alta qualidade e tem arquitetos de uma nova geração com visibilidade internacional. O Brasil agora tem chance de se posicionar, porque as atenções estão voltadas para o Brasil. Nós estamos vendo as coisas acontecerem no Brasil. Surge uma demanda de novos programas para que a arquitetura no Brasil possa aparecer e, querendo ou não, a arquitetura depende da demanda para aparecer. E se você tem uma economia estável, e o país começa a demandar projetos de usos mais diversos isso vai aparecer. Mas hoje eu ainda não classificaria a arquitetura do Brasil dentro da América do Sul como uma arquitetura de ponta. Encanta-me mais o que vem sendo produzido no Chile, por exemplo.

LS - BS: E tem a história da causa e da conseqüência. Nós não tivemos as oportunidades que eles tiveram. Isso impacta em tudo e gera um debate sobre idéia de que as empresas fabricantes de produtos e insumos para arquitetura não lançam no Brasil o que elas lançam no Chile e na Argentina. Isso é causa e conseqüência. O vidro que você encontra na Argentina, infelizmente você não encontra no Brasil. Isso tudo está mudando, essas empreses estão despertando para o nosso mercado. Mas porque a gente não demandava isso antes, será que os contratantes não tinham condição de incorporar isso na nossa arquitetura, ou nós não estávamos aptos a incorporar isso na nossa arquitetura? Hoje há ainda um abismo, basta analisar o tipo de arquitetura brasileira que está fazendo sucesso lá fora. É uma arquitetura que agora está se posicionando e não é obrigatoriamente o tipo de arquitetura que nós estamos vendo na rua, isso mostra uma certa diferença.

12) OTDB: Vocês são professores do curso de arquitetura e urbanismo no Centro de Ensino Superior (CES-JF), como é essa experiência? Como conciliam as duas atividades e como uma influencia na outra?

LS - PCL: Para mim isto é fundamental, conciliar é uma questão de você se organizar pessoalmente e organizar as duas estruturas, tanto a acadêmica quanto a profissional. Eu sempre entendi, talvez pelas referências que a gente tem em arquitetura, que caminhar no meio acadêmico e caminhar na vida profissional simultaneamente é fundamental. Caminhar sobre o fio daquela navalha da mesma forma que o Renzo Piano fala sobre a arquitetura como arte, como ciência, como técnica e como criatividade. Falar que é caminhar sobre o fio da navalha, se equilibrando nas duas habilidades do arquiteto e eu acho que flertar com o mundo acadêmico e flertar sobre o mundo profissional é fundamental porque um campo alimenta o outro.

Há uma retroalimentação que é fundamental, e eu reforço esse meu posicionamento quando eu olho para a arquitetura, não só do Brasil, mas quando eu olho para a arquitetura no mundo e vejo que os principais arquitetos ainda estão na Academia. Não sei se eles estão na Academia porque eles são grandes arquitetos ou se eles são grandes arquitetos porque estão na Academia. E isto você observa desde um panorama internacional até o Brasil. Vai de Peter Eiseman a Mario Biselli, todos eles estão, de alguma maneira, envolvidos no debate sobre arquitetura.

LS – BS: E eu faço minhas as palavras do PC sobre este tema.

13) OTDB: Quais disciplinas lecionam?

LS - PCL: Eu tenho duas disciplinas de projeto, P3 cujo tema é residência unifamiliar e P9 que é um grande centro comercial, um shopping com hotel e etc., mas também leciono uma disciplina de teoria.

LS - BS: Eu estou com projeto 1, que é uma introdução aos alunos do que é o universo de projeto, no primeiro período. Leciono História 5, que é a história contemporânea com recorte na pós modernidade, da pós modernidade até os dias de hoje, no sexto período. E tenho ainda outra disciplina que é teoria da arquitetura contemporânea, que dentro do campo da história se restringe aos temas da arquitetura contemporânea, focando a década de 90 até os dias de hoje, no nono período do curso.

14) OTDB: Estamos vivendo uma época de valorização imobiliária e de crescimento de Juiz de Fora. Como vêem a arquitetura da cidade?

LS - BS: Juiz de Fora ficou defasada no mercado nacional que já estava defasado. Já existia uma lacuna dentro dos lançamentos imobiliários e quando nós falamos em lançamentos imobiliários é importante entender que são produções de um universo do dia a dia das cidades. Nós não estamos falando aqui de equipamentos públicos ou de grandes edifícios emblemáticos. Quando nós falamos em lançamentos imobiliários nós estamos falando do que é construído de fato no dia a dia da cidade, e Juiz de Fora ficou muito atrás e muito defasada nesse sentido. E de repente nós tivemos um boom onde Juiz de Fora começa a recuperar de maneira acelerada esse retorno.   

LS - PCL: Defasado no ponto de vista quantitativo e qualitativo e agora nós estamos vendo esse crescimento quantitativo.

LS - BS: E nesse crescimento quantitativo, querendo ou não, nós estamos vendo, apesar do quantitativo ser o dominante, um interesse maior pelo aspecto qualitativo dos projetos e das construções. Então dentro da defasagem que era brutal, nós recuperamos muito. Ainda continuamos muito defasados no qualitativo, mas há um salto espantoso: a compreensão de que projeto é feito por arquiteto, e isso por si só já é um salto espantoso. Não que ele esteja sendo feito por arquiteto, mas já há uma consciência, de que quem faz projeto arquitetônico é arquiteto. Daí se você vai contratar ou não é outro passo. Há 20 anos atrás as pessoas por aqui se perguntavam: “quem faz projeto? Não sei. É engenheiro que faz projeto? Como é que funciona? É engenheiro, é arquiteto? Eu não sei.’’

Hoje muita gente sabe que quem faz projeto é arquiteto. Eu vou contratar arquiteto ou não? “Ah não sei, eu acho que não precisa, eu dou conta sozinho...’’ e continua um problema, mas existe uma diferença nisso. Especialmente o mercado consumidor entende que o sucesso de um projeto está, muitas vezes, ligado a ter sido feito por um arquiteto ou não. Então essas são as raízes para uma mudança que a gente ainda espera que aconteça, mas ainda é muito incipiente.  









15) OTDB: Em relação ao urbanismo e ao crescimento da cidade, com tantos empreendimentos em andamento, em breve a área do bairro Cascatinha, Estrela Sul e São Mateus estará saturada e isso refletirá inclusive no trânsito da região. Vocês vêem alguma solução para isso?

LS - BS: Esse é um tema muito interessante, que tem a ver com a maneira de se encarar o problema. Esse tema aborda uma questão muito específica que é o adensamento. O adensamento vem sendo abordado na história da arquitetura, e eu acho um dos temas mais interessantes, porque o adensamento em si não é um problema, pelo contrário, para muitos teóricos é uma solução. Desde a Jane Jacobs que escreveu “Morte e vida das grandes cidades” ao Rogers no livro Pequenas Cidades Para um Grande Planeta o adensamento é visto com bons olhos. Rogers é totalmente a favor do adensamento. O adensamento diminui a mancha urbana, utiliza recursos de infra-estrutura e por aí vai! Só que o adensamento gera problemas, dentre eles o de mobilidade então nós começamos a acusar o sistema viário de ser insuficiente. Mas não é o sistema viário que é insuficiente, é que a nossa infra-estrutura está baseada no transporte individual. Claro que isso vai saturar em algum momento. Então adensar bairros que não eram adensados não é um problema, na minha interpretação. O problema é a dependência de uma infra-estrutura insuficiente para esse adensamento. Então diante da dependência do transporte individual isso vai gerar problemas sérios.

LS - PCL: E é importante frisar que essa defesa do adensamento da Jacobs e do Richard Rogers é uma defesa baseada em que adensar ou não, ambos têm que estar fazendo parte de uma política urbana nos mais amplos sentidos. Seja na parte de transportes, de infra-estrutura que está instalada naquela cidade. É o planejamento que nós, infelizmente, não temos. O planejamento é zero.

LS - BS: Por exemplo, a defesa do próprio Rogers, que é uma defesa que se baseia muito em exemplos que, aliás, é um livro interessantíssimo, é um dos livros que eu elencaria como indispensáveis na formação de um arquiteto, a visão dele é sistêmica. Então para adensar eu tenho que levar uma série de questões em paralelo. Só adensar eu estou gerando um problema. Adensar e pensar em transporte coletivo, pensar em infra-estrutura, pensar em espaços públicos, pensar em praças, é completamente diferente.

16) OTDB: Mas e depois que o problema já se consolidou? O que se pode fazer?

LS - BS: Eu não tenho dúvida de que um dos maiores problemas de Juiz de Fora está ligado à mobilidade. Então esse problema já está consolidado, esses bairros já estão adensados, mas eles também têm benefícios. Por exemplo, São Mateus é um problema, pois está ficando cada vez mais adensado? Sim. Mas pergunta pra quem mora lá se quer sair? “Ah, aqui é perto da padaria, é perto do serviço, tem o banco do lado’’. Então tem benefícios, você compreende? Um banco não se instala onde não há ninguém. Ter um banco do lado de casa é muito bom. Mas qual é o principal problema desses lugares hoje? É o sistema de transportes que não consegue atender. A pessoa sai de casa com o próprio carro e fica meia hora na porta da garagem para conseguir sair com o carro. Será que ele tinha que ter saído com o próprio carro? Então como conseguimos resolver esse problema? Não é apenas analisando se deve existir um maior adensamento ali ou não. É como eu consigo conciliar essa mudança de pensamento, e de matriz de transporte.

Aonde, infelizmente, o termômetro da economia e do sucesso individual do cidadão de classe média brasileira é o carro. Se a economia está bem é porque a empresa automobilística vendeu mais. Se a pessoa está bem é porque ela trocou de carro ou comprou um carro melhor. Enquanto nós estivermos baseados no transporte individual esse problema será insolúvel. Nós vamos adensar e não vai ter infra-estrutura para segurar.

LS - PCL: E o mais importante, o adensar é um assunto, o sistema de transporte é outro assunto, a qualidade do projeto urbano no nosso caso não existe. Não existe desenvolvimento de projeto urbano. As iniciativas, mesmo as de adensamento, são iniciativas isoladas. Você adquire um imóvel, joga no chão e constrói. Não existe nada baseado em um planejamento mais amplo. Existe legislação, zoneamento da cidade, lei, código de obras. Você pode ou não pode construir aquilo? Mas como é que essas coisas estão sendo pensadas? Se a gente for tratar só do assunto da mobilidade já daria pano pra manga, e tudo aquilo que a mobilidade ainda vai envolver perifericamente, qualidade dos espaços, atualização e arborização das ruas, infra-estrutura que está instalada, calçadas, uma série de questões.

LS - BS: Isso é um evento sistêmico. Democraticamente é inviável você falar que alguém não pode construir em um terreno qualquer. Porém, existe um interesse coletivo que deve estar pontuado ali naquele paralelo. As expectativas que podem ter sido um pouco diferentes do que se materializou na prática. No Bairro Cascatinha e no Bairro Estrela Sul houve uma expectativa de um tipo de ocupação, mas na realidade é que aquela ocupação já permitia, desde o começo, um adensamento maior. Então a visão é sistêmica. O problema esta lá? Está. Hoje há um problema sério de mobilidade. Juiz de Fora tem um problema muito grave com isso que se reforça pela topografia e pelas condições climáticas. Quando amanhece nublado não se consegue andar na rua, pois todos se sentem obrigados sair como seu veículo individual. É um problema amplo, mas tem ser entendido como uma coisa sistêmica.

17) OTDB: Vocês acompanham a produção de outros escritórios e colegas aqui na cidade?  Quais os projetos e/ou obras que não são da Lourenço l Sarmento e que vocês destacariam como projetos de qualidade para a cidade?

LS - PCL: Estamos tendo uma ótima oportunidade de conhecer o que está sendo produzido na cidade, pois a Bienal de Arquitetura da Zona da Mata começou ontem. Mas eu acho que para citar, eu cometeria indelicadezas com o que os colegas têm produzido. Eu preferiria frisar a questão da qualidade em geral do que está sendo produzido. Não só o resultado final, mas são as iniciativas. O tempo todo eu acho que a gente tem que parar, dar uma sacudida e lembrar que a produção arquitetônica da cidade não tem mais que duas décadas. Tem sim alguns expoentes, e com atitudes muito isoladas. Mas uma coisa mais consistente com organização de escritórios e com um número maior de pessoas produzindo arquitetura foi de 20 anos para cá. Se a gente pegar proporcionalmente, o salto qualitativo que houve na arquitetura de Juiz de Fora nessa última década e meia, é significativo. E eu tenho certeza que essa qualidade do que está sendo produzido em Juiz de Fora por esses diversos escritórios, pelos jovens que estão surgindo, e por vocês que estão se formando nas duas instituições de ensino que a cidade oferece hoje e justamente uma massa uma formação mais consolidada que eu não tenho dúvida nenhuma vai contribuir ainda mais para a boa produção arquitetônica de Juiz de Fora.

O que eu sinto em Juiz de Fora, e não é em relação ao que os arquitetos produzem, é de abrir oportunidade para que se produza uma arquitetura mais ampla em termos de usos. A arquitetura de Juiz de Fora fica muito restrita a produção de residências, o que é natural, dos edifícios residenciais multifamiliares nem sempre, pelo que o próprio Bruno falou, nem sempre os arquitetos estão envolvidos e muitas vezes se envolvem de uma maneira que não é tão interessante, sem conseguir desenvolver o projeto de maneira adequada. Com projetos comerciais, de lojas, teatros, museus, praças, bibliotecas é onde a gente vê que a arquitetura dá um salto. A gente vai para as Bienais e vê as publicações que saem nas revistas e pensa: “poxa, essas coisas não acontecem em Juiz de Fora’’. Esses são usos onde a gente tem a oportunidade de fazer a arquitetura aparecer mais e, infelizmente, a gente não vê isso em Juiz de Fora. Ou essas oportunidades não existem ou elas são desenvolvidas de maneira estranha, para não dizer outra coisa. 






18) OTDB: Vocês estão participando da Bienal?

LS - PCL: Estamos com dois trabalhos. O Edifício Maiorca, ele é um ícone, ou pelo menos uma bandeira muito favorável para a arquitetura dessa construção residencial multifamiliar em Juiz de Fora. Muitas vezes se associa o residencial multifamiliar, o setor imobiliário, a incorporação, com um termo meio pejorativo, que a gente olha com um viés meio capitalista ou daquelas pessoas que não estão interessadas em fazer arquitetura e sim vender metro quadrado. O Maiorca, nesse sentido, é uma bandeira. E acho que o resultado foi muito satisfatório. Houve diversas publicações, e a gente acompanha o comentário e a participação das pessoas e vê que o resultado foi muito favorável. Ele mostra que é possível fazer uma arquitetura de qualidade para as pessoas morarem. Vende sim metro quadrado, mas as pessoas podem morar bem e com qualidade.







Edifício Maiorca
       19) OTDB: Como lidam com as críticas ao trabalho de vocês?

LS - PCL: Eu gosto sempre de exemplificar a crítica em arquitetura pelo que a Marina Waisman dizia, a Marina era uma crítica argentina e ela dizia que a crítica em arquitetura é o início do diálogo. Quando um autor ou um crítico, numa revista ou até mesmo virtualmente, faz uma crítica, na verdade aquela crítica tem que ser entendida como uma primeira pergunta para que se inicie um diálogo. A crítica é a maneira que eu tenho de dar a minha impressão do que é aquele projeto que está sendo publicado. E ali se inicia um debate. Só que, nós arquitetos, somos muitas vezes muito sensíveis e não entendemos a crítica como uma coisa conceitual e sim como uma coisa muito específica. Mas a crítica, o blog, isso sim é crítica de arquitetura. A crítica não é falar bem ou falar mal. É falar sobre arquitetura. Quando isso é conduzido de uma maneira correta, por uma pessoa pautada pela ética a chance disto virar algo consistente é muito grande.

LS - BS: Todas as iniciativas de críticas são muito bem vindas e elas dão oportunidades de se entender os porquês. O projeto do Maiorca saiu no blog “Push Pull Bar’’, que é um blog dedicado a estudantes de arquitetura. É um blog muito fácil e muito direto onde as pessoas têm o hábito de escrever seus comentários. E a crítica ali foi fantástica. Alguém falou que não via nada de demais naquela arquitetura, outra respondeu que ela não havia visto nada de surpreendente porque ela não estava no Brasil. Porque se ela estivesse no Brasil, ia ver a realidade brasileira e ia ver que essa é uma arquitetura que se diferencia do que tem sido feito por aqui. Isso é crítica. E a partir daí começa a se estabelecer um debate. Nós não entramos na crítica, mas acompanhamos a discussão, e isso é muito bem vindo.

20)  OTDB: Além de Juiz de Fora, quais outras cidades vocês tem atuado?

LS - PCL: Nós temos participado de projetos com os mais diversos clientes, em boa parte das regiões do Brasil. Nós estamos desenvolvendo projetos em Recife, em São Paulo, no Estado de Minas Gerais como um todo estamos trabalhando em Bragança Paulista; no Espírito Santo, em Linhares, Rio de Janeiro, Londrina na Paraná, Cuiabá, no Mato Grosso. Hoje nós temos uma gama de trabalhos bem desenvolvidos porque alguns de nossos clientes têm atuação no território nacional como um todo. Essa particularidade dos concursos nacionais foi uma das associações que nós fizemos. Tivemos a oportunidade de participar dos dois últimos concursos que foram feitos no Rio de Janeiro, em função das olimpíadas, e fomos premiados no do Porto Olímpico. Mas as coisas ainda estão caminhando. Os projetos ainda não estão em andamento, mas foi uma experiência muito bacana de trabalho. Isso é muito interessante porque romper fronteiras é sempre dramático, existem muitas dúvidas e receios, de como tudo vai acontecer. Assim como dois trabalhos que nós estamos desenvolvendo em Recife. Temos que entender a realidade de outros lugares. Nem sempre é possível ir ao local e visitar. 

LS - BS: Temos que lidar com as legislações específicas, tem uns desafios muito interessantes.






 
21) OTDB: O que vocês têm a dizer para os estudantes de arquitetura? Que sugestões e conselhos têm a dar para quem está prestes a entrar no mercado profissional?

LS - PCL: A primeira sugestão, eu dou lá no inicio do curso, quando eu recebo os alunos no curso. Se apaixone por arquitetura. O que eu acho que é uma coisa difícil, mas se permitam se apaixonar por arquitetura. Se eu fosse professor ou coordenador de qualquer outro curso eu diria a mesma coisa, porque já é um caminho para você ser dedicado e deixar que aquilo faça parte da sua vida, e não apenas um momento de sua vida, onde eu ligo e depois desligo. Tem que deixar isso fazer parte da sua vida e ser uma coisa natural. O resto todo seria conseqüência: o envolvimento, o estudo, os aprofundamentos. E, depois, profissionalmente você se pautar pelo profissionalismo, pela ética. Isso que estou falando é muito elementar, mas se todos fizessem isso, nós teríamos um ganho muito grande.

LS - BS: Eu somaria a isso, a entender que arquitetura é uma área muito específica. Ela tem uma beleza muito específica, talvez nisso esteja a sua grande característica. Estar entre arte e ciência, ser uma disciplina coletiva, de atuação coletiva, pois ninguém faz arquitetura sozinho. Nós respondemos a uma série de questões que devem ser atendidas. Há um compromisso funcional, isso dá uma beleza muito interessante para a arquitetura. Mas, sobretudo, entender, que como qualquer atividade humana, exige muito esforço. Temos que desmitificar essa idéia do gênio. Arquiteto gênio é aquele que usou suas habilidades para trabalhar mais e conseguiu através de pesquisa, trabalho e estudo ter um bom resultado. Só isso. Não existe arquiteto gênio, que acordou gênio, com uma idéia brilhante. Eu não conheço um grande arquiteto que não tivesse uma atividade de muita pesquisa, muito trabalho e muito esforço para chegar até onde chegou. Existe uma falsa impressão no caso do Brasil, que o bom arquiteto é aquele que acordou com uma idéia brilhante, que desenha muito bem e fez arquitetura. Isso não existe.

22) OTDB: Como é o funcionamento cotidiano do escritório (titulares, associados, coordenador geral, coordenadores de projetos, assistente de projetos, gerente administrativo, assistente administrativo, estagiários)? E como funciona a parceria de vocês? Como são divididas as funções? Ambos participam do desenvolvimento de todos os projetos?

LS - PCL: Nós temos um envolvimento, uma equipe que está estruturada, que até pelo tamanho que a equipe ganhou, existe uma lógica de distribuição e no organograma da equipe. Arquitetos que participam mais da parte de desenvolvimento de projeto, outros da parte de coordenação de projetos, outros lidam na produção de desenhos, como os próprios estagiários que contribuem muito. Há uma relação desde o momento em que o projeto começa a ser desenvolvido no escritório, que é sempre muito pautada pela discussão, pela participação de um grupo maior de pessoas. Não existe um projeto aqui no escritório em que eu ou o Bruno desenvolvemos e depois isso vira uma verdade absoluta.


Ambiente de trabalho e Equipe do Lourenço Sarmento Arquitetos Associados

LS - BS: Eu acho que uma grande virtude hoje da nossa maneira de trabalhar é esse viés mais coletivo. Coletivo não é no sentido de democrático abstrato, em que todo mundo mexe, por que isso não existe. Alguém tem que estar à frente. Então têm projetos que o PC está à frente, outros que eu estou à frente. Alguém, certamente, responde pelo projeto. Mas o trabalho é muito coletivo. Hoje seria muito difícil falar que um projeto foi desenvolvido por determinada pessoa. Há uma contribuição, que é até muito mais intuitiva do que uma coisa forçada. Não existe aquela coisa de: “vamos sentar para contribuir agora’’.

Há uma participação da equipe que trabalha na criação além de nós, seria até complicado elencar um ou dois nomes, assim como seria complicado elencar todo mundo. Mas nesse processo criativo tem dois arquitetos que estão com a gente há muito tempo, o Fabiano Melão e o Rafael Simioni, que são dois arquitetos associados do escritório que tem uma participação muito ativa nesse processo criativo. Assim como vários outros que atuam na parte de desenvolvimento, que são os coordenadores que atuam na parte de compatibilização de projetos, que é uma parte importantíssima que às vezes toma um tempo maior de trabalho. Então é um trabalho muito coletivo e em equipe. Não é uma coletividade fictícia não, todo mundo atua.


PC Lourenço e Bruno Sarmento e Equipe do Escritório 

LS - PCL: Tem que ter líderes e pessoas responsáveis pelo projeto. À medida que os projetos vão caminhando, o escritório vai ganhando corpo vai se desenvolvendo, algumas coisas vão acontecendo naturalmente e outras coisas saem do campo do fazer arquitetura propriamente dita. Começam a aparecer as diversas reuniões, começam a aparecer as prospecções de novos trabalhos, reuniões que às vezes não são de desenvolvimento de projeto, e sim reuniões de contratações, viagens, etc. Essas coisas também são uma parte importante do ponto de vista de tempo. Então hoje eu me dedico muito aqui no escritório a essa questão de estar sempre à frente, de estar buscando contato, envolvendo com clientes e com possibilidades de novos projetos. E aí temos que saber distribuir isso, principalmente, dentro do dia.
 
23) OTDB: Enumerem cinco livros que vocês julguem essenciais para a boa formação de um arquiteto/urbanista. Em que ponto esses livros mudaram a forma de vocês pensarem e avaliarem a própria produção?

LS - BS: Nós até já citamos alguns ao longo desta entrevista, eu poderia falar aqui nomes que são recorrentes em qualquer lista acadêmica, desde o Rossi, Venturi, Jacobs, além de um grande número de livros bem emblemáticos, que vão desde Le Corbusier – Por uma Arquitetura, esses são emblemáticos, não tenham dúvidas.

Tem uns que talvez tenham influenciado mais, e seriam interessantes: Saber ver Arquitetura, do Bruno Zevi, que é livro de cabeceira, que é entender que o fazer da arquitetura é o fazer do espaço, e o protagonismo desse espaço no processo. O estudante de arquitetura e o arquiteto que entende isso, já conseguem dar um salto espantoso, porque ele conseguirá entender o fio condutor que une coisas tão diferentes, que vão desde o urbano, a cenografia, passando por luminotécnica, paisagismo e etc.

O que une isso tudo é o espaço. O Zevi tem um papel fundamental para ajudar a entender que a virtude da arquitetura é uma virtude espacial. Outro livro que nós utilizamos na disciplina do primeiro período, que é Forma e Design do Louis Kahn, que é um arquiteto subaproveitado no Brasil, especialmente no conhecimento acadêmico. Os norte americanos extraem do Kahn tudo o que podem e a gente o estuda pouco. Nós estudávamos o livro em espanhol, e esse ano saiu a versão em português, da editora Martins Fontes, ele está agora muito mais acessível. É um livro que lida com esse drama da responsabilidade do projeto e do que se pode fazer para se tornar mais capaz. Esses dois são fundamentais. Outros três que eu elencaria são: Pequenas cidades para um grande Planeta, do Rogers, que é básico para qualquer estudante de arquitetura, e é muito revelador, porque ele pega vários paradigmas que hoje estão muito cristalizados no nosso imaginário e questiona buscando uma solução. Esse livro fez muito sucesso internacionalmente. Não é a toa que em paralelo às iniciativas do Rogers e ao próprio livro ele ganhou o Leão de Ouro em Veneza pela iniciativa dele na área urbana. Outro livro que eu acho fantástico, porém menos badalado, é o Inquietação Teórica e Estratégia Projetual, do Rafael Moneo. O autor fala da produção de oito arquitetos especialmente da segunda metade do século vinte. Esse livro é fantástico, porque ver um arquiteto extremamente capaz como o Moneo falar da obra de outros é uma outra maneira de estudar arquitetura. E por fim, um que eu adoro e que é pequeno, é o Supermodernismo do Hans Ibelings. Eu também o utilizo nas disciplinas de teoria da arquitetura contemporânea, e esse é fundamental para entender o movimento contemporâneo e a contribuição do modernismo e do pós-modernismo nesse processo. Esses são os cinco livros que eu indico, pra sair daquele básico, que todo aluno tem que ler de qualquer jeito.

LS - PCL: Para sair um pouco dos autores estrangeiros, eu citaria um, que também foi emblemático no estudo do projeto urbano, que é A Cidade Como um Jogo de Cartas, do Carlos Nelson Ferreira dos Santos e o Ensaio sobre a Razão Compositiva do Edson Mahfuz, que é um ensaio teórico excelente, melhor inclusive do que a arquitetura que ele produz, um livro realmente instigante. E o Zevi, por usar na disciplina de teoria, não só o Saber ver Arquitetura, ou A linguagem Moderna da Arquitetura, mas você tem que ter lido antes também A Linguagem Clássica da Arquitetura do John Summerson, esses dois livros dão um panorama, não histórico, mas teórico de toda a arquitetura ocidental. São livros imprescindíveis para um estudante ter na sua formação. E, mas aí não vale como livro “acadêmico”, as biografias. Ler os livros dos arquitetos, que são escritos pelos arquitetos, que mostram a sua produção. Mas não é livrinho de foto apenas, é livro onde se tem autores escrevendo sobre aqueles arquitetos na introdução, apresentando seus trabalhos, com páginas dedicadas a explicar um projeto, com textos do próprio autor, de críticos, plantas, cortes, fotos, e uma série de informações que te dão a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre o arquiteto e sua obra.

         24) OTDB: Muito obrigado pela entrevista.

LS: Também agradecemos muito. Foi ótimo.

Entrevista realizada em outubro de 2011 por Camila Fonseca Pinheiro, Vitor Wilson e Luisa Feyo.

Busca

    Visualizações da página

    Translate